16 de jan de 2011

Região tem 620 mil pessoas em favelas


Núcleos habitacionais, assentamentos precários ou simplesmente favelas. Para quem vive nestes espaços, pouco importa o nome. O que faz diferença é a quantidade e, no Grande ABC, 620 mil pessoas moram em situação de penúria, o que equivale a um em cada quatro dos mais de 2,4 milhões de habitantes da região, população estimada pelo Censo 2010.
Sejam pequenas, como o morro do Samba, em Diadema, com 2.000 pessoas, até enormes, como o Jardim Zaíra, em Mauá, com mais de 70 mil, as favelas estão espalhadas por Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não têm esse tipo de habitação. Em São Caetano, o problema são os 122 cortiços, com 747 famílias, algumas em situação tão degradante quanto as encontradas em qualquer favela.
A partir do próximo domingo, você, leitor, irá conhecer um pouco da realidade de alguns desses assentamentos e descobrir que, sim, tem gente boa, talentosa e trabalhadora vivendo ali.
Mas como elas ocuparam esses espaços? O processo de formação das favelas no Grande ABC data dos anos 1950, quando a industrialização ganhou fôlego na região. Cada favela foi ocupada em uma situação diversa, quase sempre por meio da invasão de terrenos em áreas como encostas e topos de morros, e ao redor da Represa Billings.
RISCOS
Muitos desses assentamentos são áreas de risco de enchentes e deslizamentos, impróprios para a construção de moradias. A Prefeitura de São Bernardo, que tem cerca de 312 mil pessoas em 261 favelas e assentamentos precários, monitora 183 setores de risco em 58 núcleos.
Em Santo André, onde há 149 assentamentos precários, com cerca de 117 mil pessoas, são 46 as áreas instáveis. Diadema, onde 100 mil vivem em 219 núcleos, tem pelo menos 14 pontos críticos.
Mauá é caso à parte. Deslizamentos mataram cinco pessoas na cidade desde o início do ano, quatro delas no morro do Macuco, no Jardim Zaíra 6, e uma no Jardim Rosina. Estima-se que 90 mil pessoas vivam em favelas, mas a Prefeitura não confirma e tampouco monitora as áreas.
POLÍTICA
Para o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, o que falta é vontade política para mudar esse quadro. "Não houve ocupação planejada quando as levas de migrantes chegaram do Norte e Nordeste do País em busca de empregos. Essas pessoas foram empurradas para as favelas", destacou.
Hoje, o que resta ao poder público é remover ao menos os que estão em áreas de risco. Mendes acredita que é preciso pulso firme. "Muitos vão resistir, pois viver em favelas está no sangue das famílias, algumas há mais de três gerações no lugar. O político não remove porque perde votos", opinou. Para urbanizar, também é preciso investir verbas em obras que não são visíveis.
Com ou sem eleição ganha, a solução para o problema esbarra na falta de união entre as esferas municipal, estadual e federal. A questão, porém, é de vida ou morte e a região não pode mais esperar: é preciso agir antes que mais tragédias aconteçam.
Habitação tem R$ 1 bilhão em recursos
O déficit habitacional no Grande ABC é de 9% dos habitantes da região. São necessários mais de 60 mil imóveis para abrigar famílias inteiras que vivem em condições sub-humanas, sem instalação de água, esgoto e energia e distante de escolas, unidades de saúde e do transporte público.
Na tentativa de resolver esses problemas, as prefeituras de Santo André, São Bernardo e Diadema pretendem investir, juntas, cerca de R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura, urbanização e construção de unidades habitacionais. Os recursos vêm dos cofres municipais, do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social).
São Bernardo tem R$ 697,2 milhões em recursos, que vão beneficiar cerca de 18 áreas irregulares da cidade. Já Diadema pretende investir R$ 145,7 milhões em habitação. Entre as principais intervenções estão o PAC Naval, o PAC Mananciais e os complexos Beira Rio e Santa Elizabeth, com R$ 36 milhões do FNHIS.
Em Santo André há 16 projetos que beneficiam oito áreas irregulares da cidade, onde vivem cerca de 25 mil pessoas. O investimento é da ordem de R$ 220 milhões. Entre as obras há previsão de construir dez conjuntos habitacionais em locais como Alzira Franco, Prestes Maia, Itatiaia e Jardim das Maravilhas.


fonte: 

Camila Galvez 
Do Diário do Grande ABC

Um comentário:

Anônimo disse...

O pior disso tudo é que em Diadema, a prefeitura construiu 47 casas na avenida Ulysses Guimarães na Vila Conceição,isso em uma cidade que o deficit habitacional é enorme. Não seria melhor aproveitar o espaço e construir prédios e mais famílias sem-teto fossem contempladas?
No local poderiam ser construídos no minimo oito torres e dar moradia a pelo menos o triplo de famílias.
Mas claro os técnicos são apadrinhados políticos e não sabem proveitar o solo urbano.
Oh! Administração RUIM!