22 de dez de 2014

Grande ABC investe em cerveja artesanal - Diadema também desponta na região

 fábrica Votus: Avenida Eldorado, 515 – Diadema – São Paulo

Grande ABC, um dos principais centros da indústria automobilística País. Mas também da cerveja artesanal. A região produz hoje, em média, 55 mil litros por mês. Tudo para que trabalhadores metalúrgicos, patrões e também consumidores de outras categorias possam se refrescar em uma sexta-feira ou acompanhem um prato com a bebida no jantar do fim de semana. 

A demanda cresce e as produtoras da bebida na região têm atingido grandes resultados, que refletem na intenção de expansão não só física, como na comercialização de rótulos e marcas. Fundada no fim de 2011 a Cervejaria Premium Paulista toma conta, praticamente, de um quarteirão inteiro no bairro Santa Maria, em Santo André. Com uma produção de 35 mil litros por mês, a fábrica da cerveja Madalena é a maior do Grande ABC. 

Com o investimento de seis sócios, a fábrica tem hoje sete rótulos em sua linha, mas pretende lançar alguns sazonais também. “Queremos aproveitar este momento em que o consumidor está tendo mais acesso aos produtos tidos como premium. A cerveja é um deles e o mercado está aquecido”, explica o diretor executivo, Renan Leonessa, 23. “Prezamos pela qualidade, utilizamos somente matéria-prima de procedência e todas nossas cervejas são puro malte”, comentou.

Percebendo o aumento do interesse do consumidor da região pela bebida artesanal, Leonessa vislumbrou a chance de adentrar, não somente no bares, mas também nos mercados. Hoje a cerveja Madalena é encontrada facilmente nas gôndolas da rede Coop, que tem alcance em todas as cidades do Grande ABC. “Escolhemos a Coop exatamente por ser uma rede da região. Foi uma questão de relacionamento. Estamos apostando”, disse. 

A empresa conta com 16 funcionários e até o segundo semestre do ano que vem quer automatizar a produção no estilo alemão. “Queremos expandir a fábrica ainda mais. Estamos trabalhando pra que isso ocorra até o ano que vem”. Um dos trunfos que fazem a unidade fabril trabalhar a todo vapor é a terceirização de seu equipamento para que outras cervejarias produzam, engarrafem e distribuam suas cervejas. “Hoje a fabricação de cervejas (de companhias) que terceirizam com nossa fábrica chega a ser quase três vezes maior do que a própria produção da Madalena. Esse é um nicho a ser explorado, já que a demanda por esses serviços cresce entre aqueles que não têm investimentos para montar a própria fábrica”, explica Leonessa.

Diadema também desponta na região como uma cidade com potencial para a fabricação do produto artesanal. Com um investimento de quase R$ 3 milhões a cervejaria Votus está localiza na Avenida Eldorado, uma das mais importantes da cidade. 

Segundo Flávio de Almeida Ataíde, 32, um dos administradores da cervejaria, o equipamento utilizado pela fábrica é o mais avançado do Brasil. “Decidimos apostar num equipamento moderno. Hoje, temos certeza que os tanques e tinas que utilizamos aqui na Votus são os mais modernos do país”, explicou Almeida.

A cervejaria produz cerca de 12 mil litros da bebida por mês, mas tem capacidade de aumentar esse número para 120 mil litros. Ela emprega cinco pessoas, mas Almeida percebe que este é o momento para admitir mais gente. “Temos poucas pessoas trabalhando aqui, mas o objetivo é contratar para que possamos produzir sempre mais. Três produções completas por dia gerariam 50 empregos”, conta.

A escolha do município não foi por acaso. O grupo de investidores que mantém a fábrica buscava um terreno de bom tamanho e com localização estratégica. Foi em Diadema que encontraram tudo isso. “Queríamos fazer tudo certo desde o início pra não ter que perder tempo depois. Aqui encontramos um ótimo imóvel e estamos perto de estradas que dão acesso fácil à outras localidades”, contou Almeida.

A Votus produz hoje seis tipos de cerveja e seu método de inserção no mercado é através dos bares de São Paulo em sua grande maioria. “Ainda não conseguimos entrar nos bares do ABC, pois há um certo protecionismo com as cervejas das grandes fábricas, como as da Ambev, por exemplo. Isso dificulta um pouco”, disse. Os rótulos da cervejaria saem por preço médio de R$ 20, mas esse valor pode variar entre os estilos que produzem. Apesar de concordar que o mercado de bebida artesanal está crescendo, Almeida aponta que o que falta, na verdade, são locais específicos para se comercializar o produto. “Se São Paulo e o ABC abrissem mais bares e empórios para comercializarmos nossas cervejas os horizontes seriam melhores”, conclui.

PUB - O prédio de tijolos e os grandes tanques chamam a atenção de quem passa na rua Guilherme Marconi, na Vila Assunção, em Santo André. A família do proprietário já tem história com a cerveja há muitos anos, produzindo a bebida desde os anos 30.

Maurício Moraes, 48, é o proprietário da Theodora, cervejaria que produz cerca de 8.000 litros da bebida por mês e atua como gastropub, ou seja um local destinado a tomar boa cerveja e comer boa comida. Moraes decidiu que iria montar sua própria fábrica quando trabalhou durante um ano nos pubs da Inglaterra, no começo dos anos 1990. Ele já tem certa experiência em administração de bares e restaurantes, pois já foi proprietário de comércios desse tipo em São Bernardo e no Mercado Municipal de São Paulo.

Na cervejaria ele comercializa quatro tipos de chope com preços que vão de R$ 7,50 a R$ 15,50 e, atualmente, emprega 11 pessoas. Esperando que o ano de Copa do Mundo seria um dos melhores para seu comércio, os números apareceram como água no chope. “Pensei que a Copa iria trazer um saldo bem positivo, mas não foi assim que ocorreu. Infelizmente durante e depois da Copa o movimento deu uma estagnada”, confessa. Porém, ele ainda é esperançoso, pois sabe que esse é um caminho sem volta. “O brasileiro só conheceu a cerveja artesanal agora. Tenho certeza que nos próximos anos não só o consumo, mas as opções e o acesso a este tipo de bebida vão aumentar”.


FAÇA VOCÊ MESMO - Você é um entusiasta das cervejas artesanais e gostaria de criar sua própria receita e fabricar sua cerveja? O Grande ABC conta com locais que vendem materiais e utensílios para quem quer se iniciar na vida de cervejeiro. 

Em São Bernardo, a Brew Head Shop está há apenas 25 dias com uma loja física no centro da cidade. O local ainda é pequeno, mas já há um bom estoque de panelas, maltes, fermentos e vários outros pertences para a produção de uma boa cerveja artesanal. Gabriel Haro, 40, um dos investidores diz que já há falta de ingredientes na loja, tamanha a procura. “Os insumos, como malte e lúpulo são os mais vendidos. Alguns destes já estão em falta” Com investimento inicial de R$ 50 mil, os amigos têm se surpreendido com a procura dos meios para o preparo da bebida. “Estamos felizes com a procura e já pensamos em expandir para atender a demanda. Queremos também preparar cursos e realizar a criação conjunta de cerveja”, disse

Carlos Runge, 36 anos, é formado em química e hoje administra o Atelier da Cerveja, que fica na Rua das Figueiras, em Santo André. No local, uma mistura de bar especializado em cerveja especial, loja de insumos para a produção e local onde se ministram cursos, ele conta que sua relação com o produto se deu quando ainda era jovem e via seu tio preparando a bebida. “Desde pequeno tive contato, depois me formei em química e produzir cerveja se tornou mais fácil”, contou. No espaço é possível encontrar alguns tipos de maltes, lúpulos, fermentos e equipamentos que possibilitam ao interessado ter fabricação própria Há ainda a possibilidade de se inscrever no curso de cervejeiro, pelo valor de R$ 380 por um período de 25 dias. Os grupos são formados a partir de três participantes e vão até no máximo de sete. 

fonte: Daniel Tossato - DGABC

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