15 de mar de 2013

Diadema abre negociações para receber investimentos da China


Novo projeto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Diadema deverá revitalizar e fomentar o setor de cosméticos do município. Parque de empresas, como Davene e Lipson, que fabrica para a Natura, e Mapel Bioplan, Diadema agora quer que seus produtos cheguem ao outro lado do mundo, na China.
Wagner Kuroiwa, titular da Pasta, conta que as negociações estão sendo feitas com a segunda maior economia do mundo. "O governo da China esteve aqui antes e, segundo consta, não foi bem recebido. Nós o recebemos muito bem, queremos a parceria com eles. Não queremos a concorrência desleal, mas queremos investimento. Consta que eles dispõem de US$ 8 bilhões para investir no Brasil e nós queremos ter uma fração disso aqui em Diadema. Eles já demonstraram interesse em alguns galpões que estão em tratativas e espero anunciar em breve que adquiriram e vão implantar algumas fábricas no nosso município. A receita é muito bem vinda. Concorrência desleal, certamente, não", diz Kuroiwa.
Médico especialista em saúde pública de direito sanitário, Wagner Kuroiwa diz que no setor de cosméticos, a China não é competitiva. "Pode ser um excelente mercado, pelo volume, dos nossos produtos", acredita. O secretário também comentou dos gargalos que Diadema enfrenta para alavancar a economia local, como o lançamento de efluentes sem tratamento na rede de esgoto e dificuldade no trânsito para o escoamento da produção. "Estamos já em contato com as instituições responsáveis para resolver isso", diz Kuroiwa em entrevista exclusiva ao RDtv.
RDtv -  Na década de 1970, Diadema era 8º maior polo de São Paulo. Hoje, representa a 14ª economia do Estado. O Polo de Cosméticos, criado em 2002, vai resgatar a sua antiga posição? Como?

Wagner Kuroiwa - Com certeza. Já foi o carro-chefe e tem tudo para retomar a posição, bastando para tanto que a gente invista e faça a promoção e recuperação do setor. Acho que, inicialmente, o órgão público tem de, pelo menos, não atrapalhar. Temos de ser facilitadores e promotores do desenvolvimento e a secretaria está tomando algumas medidas, uma delas tirar toda a burocracia que emperra o desenvolvimento do setor. Por exemplo, estamos trazendo para Diadema o SIL [Sistema Integrado de Licenciamento], que está sendo implantado no Estado de São Paulo. Com ele as empresas podem fazer os pedidos de licenças online - seja de habitação, no setor de finanças, meio ambiente ou vigilância sanitária. Dependendo do grau de complexidade, isso facilita muito a emissão das licenças. Ganhando tempo, agilidade e mais facilidade de estar no mercado de uma forma mais competitiva. Estamos também tomando medidas no âmbito dos incentivos fiscais, como diminuição do IPTU ou facilitação, quando há valor adicionado de ICMS, de maneira que o IPTU possa ser minimizado dependendo do desempenho da empresa.

RDtv - Qual é a participação hoje do Polo na receita de Diadema?
Kuroiwa - Existem setores com um peso maior, até pela característica produtiva e o setor [de cosméticos] realmente está bem atrás. De qualquer modo, na estratégia que estamos adotando, pretendemos que o setor não apenas tenha aumento da demanda na região, como no Estado de São Paulo, no Brasil e no mundo. Estamos inclusive procurando parcerias no exterior. Surpreendentemente, a China pode ser um importador de cosméticos de Diadema. O país não tem, neste segmento, a competitividade de outros setores. Falava-se que a China, com a mão de obra muito barata, quase escrava, conseguia ter produtos mais baratos e com isso captar mercado. No entanto, neste setor ela não tem competitividade e, pelo volume, pode ser um excelente mercado para nossos produtos.
RDtv -  E já temos negociação?
Kuroiwa - Temos tratativas preliminares e existe até a possibilidade de irmos à China prospectar negócios. Mas estamos apenas há 70 dias no governo.
RDtv - Diadema concentra empresas de toda a cadeia produtiva do setor de cosmética, perfumaria e higiene pessoal. Na receita, qual é o carro-chefe nessa cadeia? Indústria, comércio ou prestação de serviços?
Kuroiwa - A indústria está na frente. Existe uma grande procura por sucata e nós temos um parque que, inclusive, exporta estes produtos. Mas o importante no espectro na nossa cadeia, é que os serviços são vasos comunicantes com o setor produtivo. Se o setor produtivo vai bem, o serviço vai bem e a recíproca é verdadeira. Nós temos de dar estímulo forte ao setor produtivo, ciente de que com isso vamos alavancar o setor de serviços e valorizar o serviço local. O setor de serviços corresponde à própria indústria. Ela gera o setor de serviços, que corresponde a 60% ou 70%. Não é o serviço usual, seja de pequeno porte, como manicure ou cabeleireira etc, que tem peso maior na economia, é a própria indústria que tem suporte em serviços como engenharia e produção de projetos. O importante é que a gente prospecta e trabalha fortemente em todos os segmentos. Não podemos focar toda a nossa energia num segmento e os outros ficarem à sorte.
RDtv - Quantos empregos o Polo de Cosméticos gera em Diadema?
Kuroiwa - Não dispomos deste número, mas nos exemplos mencionados, de empresas, a Lipson tem 1,3 mil funcionários, então ela tem uma parcela bastante importante. É claro que se a indústria é pujante, o município também é. Os empregos que serão gerados, a receita que há de ser gerada e o aumento da captação do município é que vai direcionar os investimentos necessários em saúde, educação, transporte e segurança.
RDtv - Diadema tem meta para ampliar a receita originada do setor?
Kuroiwa - Existe e isso é fácil de ser quantificado, porque nós temos os dados de emprego e ICMS que vão dizer que quando nós iniciamos, tínhamos tal posição e hoje temos tal. É uma meta que nós estamos nos impondo como algo de almejamos alcançar. Vamos trabalhar neste sentido.
RDtv - Há números?
Kuroiwa - É muito difícil e é algo fortuito e vai depender de eventos futuros.
RDtv - Mais de 50 empresas fabricam cosméticos em Diadema, e outras 40 participam da cadeia produtiva com o fornecimento de embalagens e matéria-prima. Há projeto para ampliar atrair mais empresas?
Kuroiwa - Isso é algo que estamos trabalhando ativamente também, mas vai ocorrer espontaneamente na medida em que houver sucesso das iniciativas. Temos na verdade 57 empresas cadastradas, diretamente ligadas a cosméticos e aquelas que são ligadas aos cosméticos, como embalagens, insumos e essências que não são propriamente de cosméticos mas fornecem para a indústria. Havendo sucesso, necessidade e ampliação dos negócios e demandas, certamente outras empresas virão. Com o ambiente facilitado, se sentem atraídas. Cito um exemplo: o governo da China esteve aqui antes e, segundo consta, não foi bem recebido. Nós o recebemos muito bem, queremos a parceria com eles. Não queremos a concorrência desleal, mas queremos investimento. Consta que eles dispõem de US$ 8 bilhões para investir no Brasil e nós queremos ter uma fração disso aqui em Diadema. Eles já demonstraram interesse em alguns galpões que estão em tratativas e espero anunciar em breve que adquiriram e vão implantar algumas fábricas no nosso município. A receita é muito bem vinda. Concorrência desleal, certamente, não.
RDtv - O foco são as empresas que já estão aqui, correto?
Kuroiwa - Eu uso uma analogia da saúde. Na saúde você tem a promoção, prevenção e recuperação. Se aplicarmos isso para as nossas empresas, vamos ter um cenário bastante interessante. Mas temos de fazer a promoção delas e a proteção contra agravos que elas possam sofrer, por carga tributaria excessiva ou concorrência desleal. E a recuperação fazemos quando percebemos que uma empresa está com dificuldade em um ponto que podemos intervir.
RDtv - A ideia é que o Polo de Cosméticos seja o carro chefe da economia da cidade, assim como é o setor automobilístico em São Bernardo?
Kuroiwa - É possível porque isso virou uma marca, inclusive em caráter internacional. O Polo de Cosméticos virou símbolo de Diadema. Seria até um desperdício, já que se tem uma marca, não utilizá-la adequadamente. É mais fácil recuperá-lo do que criar novo ícone.
RDtv - O que o senhor espera dos encontros com empresários e industriários?
Kuroiwa - Fizemos já um encontro com as empresas do setor, que foi para deixar claro nossa postura de parceiros das empresas. Deixamos aos empresários a imagem de que, se o município não pode ajudar, que pelo menos não atrapalhe. Nós estamos com uma postura nova, de ouvir deles as críticas.
No próximo encontro vamos procurar o setor intermediário, aqueles que vendem os produtos, como supermercados, farmácias, drogarias, perfumarias, e o setor de serviços que utiliza destes produtos. É claro que pretendamos que o ABC, com seus 2,5 milhões de habitantes, também seja consumidor dos produtos de Diadema. Porque isso é um recurso que fica na cidade, vai ser utilizado aqui e é claro que vai beneficiar também outros municípios.

RDtv - Quais foram as principais reclamações?
Kuroiwa - Uma delas é uma circunstância que está ocorrendo em função da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema) e a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que faz os licenciamentos das empresas em todo o Estado. Nós temos de fazer a ligação do coletor tronco. Acontece que isso vai demorar dois anos. As empresas estão lançando alguns de seus efluentes sem tratamento na rede de esgoto. Para a empresa poder deixar isso em ordem já teria de fazer um grande investimento por um período muito curto e algumas empresas não têm nem espaço físico para isso, porque a área fabril já ocupa todo o terreno. Então nós estamos em tratativas com a Sabesp para ver como é possível solucionar a questão. Tivemos outra questão: as empresas reclamam do escoamento da sua produção. Já estivemos com o prefeito [Lauro Michels (PV)] que está em conversações com a Ecovias para abrir, no término da Ulisses Guimarães, um acesso à rodovia Imigrantes, o que desafogaria parte do trânsito central e otimizaria nosso escoamento tanto para o Litoral como para o Rodoanel. São medidas que, se implementadas em curto prazo, trarão benefícios às empresas, porque, sem ter o licenciamento na Cetesb, a empresa não consegue firmar contrato de excelência, que exige a regularidade em todos os órgãos. Sem o escoamento não há agilidade da logística, que é um dos nossos atrativos.
RDtv - Além do Polo de Cosméticos, quais outras ações a Secretaria pretende desenvolver para impulsionar a economia de Diadema?
Kuroiwa - Tivemos três encontros com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), que fez uma pauta de reivindicações, sugestões e críticas que estamos auscultando como um instrumento para, uma vez tendo uma parceria deste porte, que corresponde ao PIB (Produto interno bruto) do município em grande escala, a gente possa, atendendo as demandas do próprio Ciesp, atender as demandas de todas as empresas. Já no dia 20 deste mês, temos uma nova reunião com a entidade. 
fonte: 
Nathália Blanco - REPÓRTER DIÁRIO

Um comentário:

Anônimo disse...

O Brasil necessita de investimentos claros e objetivos,ficamos estagnados em uma única idéia e não evoluímos.Necessário que possamos unir forças do governo para que burocracias sejam aceleradas para se ter assim caminhos abertos e desenvolver os potenciais brasileiros.Temos sim capacidade e não utilizamos,pedimos ao final sempre ajuda,claro que é bom parcerias,mas não deixar em mãos o futuro de determinado projeto como salvação de estrangeiros.