4 de jun de 2012

Região vai ganhar sete hotéis até 2016


O Grande ABC, hoje carente de complexos hoteleiros, especialmente os de luxo, vai abrigar mais sete empreendimentos até 2016. Os aportes devem superar os R$ 100 milhões e o número de leitos ultrapassa 1.000. Por enquanto, está confirmada a incorporação de 805 unidades à hotelaria regional. Boa parte do interesse pelos investidores começou a ser aguçado pelo desenvolvimento estratégico da infraestrutura viária da região, com a inauguração do trecho Sul do Rodoanel, que interliga Mauá, São Bernardo e Santo André ao litoral e ao interior do Estado de São Paulo. Além disso, para 2014 está previsto lançamento do trecho Leste, que ligará Ribeirão Pires e Mauá à Via Dutra.

Por ora, apenas dois projetos estão mais avançados e já têm bandeiras definidas: o Adagio City Aparthotel, quatro estrelas da rede Accor, que terá aporte de R$ 30 milhões para a construção de 100 quartos em São Bernardo até 2016; e o Inn Style by Atlantica, parceria da Atlantica Hotels com a empresa de engenharia Domus Populi, com investimento de R$ 30 milhões para 192 unidades na mesma cidade até o ano que vem.

A marca Adagio, inédita no País, será voltada a quem vai se hospedar por períodos mais longos, pois os apartamentos terão banheiros grandes e cozinhas equipadas e, quanto maior a quantidade de diárias, menor o valor pago. O endereço não foi divulgado.

O Inn Style será construído em terreno de 5.000 metros quadrados na Rua Aldino Pinotti, Centro de São Bernardo. De acordo com Michel Zeenni, diretor-técnico da Domus Populi, o foco do empreendimento será atender a executivos durante a semana e turistas aos sábados e domingos. "A ideia é receber pessoas que queiram quebrar a rotina no fim de semana." A diária ficará em torno de R$ 200. Zeenni afirmou que existe a intenção de expandir os investimentos para Santo André e São Caetano. "Foram iniciadas conversas e temos algumas áreas para visitar."

A rede Blue Tree Hotels também escolheu São Bernardo para inaugurar sua segunda unidade na região. O projeto prevê até 2014 hotel com centro de convenções, escritórios e shopping próximo à Via Anchieta. Fontes disseram à equipe do Diário que ainda falta fechar a compra do terreno. Procurada, a rede informou que "tem planos de expansão para a região, porém, está em fase de estudos e não há estudos confirmados".

Na cidade há outro projeto, ainda embrionário, de grande empreendimento com hotel, escritórios, supermercado, residências e escola. Sem local e investimento definidos, deve ficar pronto em quatro anos.

A construtora MZM vai inaugurar em Diadema o primeiro complexo hoteleiro do município com 160 leitos. Até o fim do mês serão definidos perfil do hotel e bandeira. "Estamos entre três grupos", avisou o diretor comercial da empresa, Helio Korehisa. O lançamento deverá ocorrer em outubro e as obras serão concluídas em 2015. Em terreno na Rua Amélia Eugenia, no Centro, próximo ao Poupatempo, serão erguidos, com investimentos de R$ 450 milhões e previsão de receita de R$ 600 milhões, mini shopping, salas comerciais, condomínio clube e hotel. A empresa não diz quanto do montante aportado irá só para o hotel. "Estamos estudando São Bernardo e São Caetano. Temos áreas e estamos viabilizando projetos de complexos hoteleiros", revelou Korehisa.

Em Santo André, a Brookfield planeja construir 355 apartamentos em hotel de padrão médio alto na Cidade Pirelli até 2014. Em São Caetano, a Sobloco tem projeto dentro do Espaço Cerâmica, que reunirá também residências e escritórios, que ficarão ao lado do ParkShoppingSãoCaetano. Ambos ainda carecem de mais detalhes.

Grande ABC precisa de atrativos turísticos para fisgar redes

A ocupação média dos hotéis da região, durante a semana, chega a até 90%, porém, aos fins de semana, muitas vezes, caem a zero. "O público de hotéis do Grande ABC é focado no turismo de negócios, porque não há atrações turísticas", afirmou o presidente da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo), Bruno Omori. "Ocorre aqui o que acontecia em São Paulo quando não havia tantos espetáculos e eventos esportivos. Atualmente a ocupação média (lá) é de 69%."

Omori explica que se a frequência de visitantes aos hotéis de uma cidade não se mantém alta por todos os dias, isso não é interessante ao investidor, que migra para outro local mais atrativo.

O presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Wilson Bianchi, partilha da opinião. "As prefeituras precisam incitar a realização de jogos e eventos culturais. Há 20 anos a Cidade das Crianças era novidade e lotava os hotéis de São Bernardo todos os fins de semana". lembra. "Seria importante que fizessem melhorias na infraestrutura e divulgassem amplamente alguns eventos e destinos, os transformando em destaques turísticos, por exemplo, a Feira de Móveis da Jurubatuba e Paranapiacaba. Ou, ainda, se trouxessem um clássico do futebol para o 1º de Maio (estádio). O visitante não vai se instalar por aqui só para frequentar a rota do frango com polenta."

Para criar o interesse do turista em visitar o Grande ABC, diz ele, as prefeituras teriam de unir gastronomia, compras, passeios e até levar o visitante a São Paulo, por exemplo, para assistir a um show. Omori cita Socorro, no Interior paulista, como case de sucesso. Potencializando o que têm de melhor, os esportes de aventura e a feira de malhas, os hotéis têm ocupação média de 87%.

"Nos últimos anos, já vi mais de 15 projetos declinarem por conta da falta de planos sérios de investimentos das prefeituras no turismo do Grande ABC. Tanto que a maior parte dos empreendimentos hoteleiros só era feito por conta da especulação imobiliária", diz Omori.
São Bernardo e Santo André têm condições para serem subsedes
As cidades de São Bernardo e Santo André, com os hotéis em funcionamento e os outros que estão por vir, têm condições de se tornarem subsedes da Copa do Mundo de 2014.

Essa é a avaliação do presidente da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo), Bruno Omori. "Capacidade tem, só é preciso investir em retrofit para ampliar e modernizar os quartos já existentes. As duas cidades possuem estádios ótimos", disse. Segundo ele, a linha de crédito da Agência de Fomento Paulista voltada ao mercado hoteleiro paulista (juros de 2% ao ano mais TJLP), por ser subsidiada pelo governo estadual, é mais barata. Com essa taxa é possível emprestar até R$ 10 milhões.

O grupo 7 Oceans iniciou, no ano passado, a revitalização do Liau Hotels Park Plaza, em São Bernardo e, neste ano, começou a reforma no Park Suits, localizado do outro lado da rua. Estão sendo aplicados R$ 10 milhões. A ideia é ampliar a atuação em eventos sociais, como casamentos, outras festas, dia da noiva e fazer frente ao setor hoteleiro paulistano.

fonte: Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

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