29 de set de 2008

Diadema, 1958: o cenário de Anita Malfatti


Anita Malfatti (São Paulo 1889-1964). Fundou com Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Pichia o Grupo dos Cinco, em 1922, e participou da Semana de Arte Moderna. Anos mais tarde, integrou na Spam (Sociedade Pró-Arte Moderna), na FAP (Família Artística Paulista) e participou do Salão Revolucionário.



Há 50 anos Diadema preparava-se para a campanha autonomista e o centro do então distrito, do antigo loteamento Vila Conceição, era um bucólico espaço como se observa na foto de hoje - uma rara foto, descoberta nos anais da Assembléia Legislativa do Estado pelo pesquisador Walter Adão Carreiro, do Gipem (Grupo Independente de Pesquisadores da Memória).

São 20 imagens como essa, de toda a cidade. No presente caso, estamos na bifurcação das avenidas Antônio Piranga e Alda. A casinha branca em primeiro plano fazia parte da chácara de Maria Cândida de Oliveira, a Maria Portuguesa, que ali cultivava lírios, que eram vendidos na Praça da Árvore, em São Paulo.

A casa da Maria Portuguesa e todos os demais imóveis do triângulo foram demolidos para no local se instalar a Praça Diadema, hoje Praça Castelo Branco, no centro nervoso da cidade de Diadema de hoje.

Coube ao paisagista Giuseppe Legger arborizar a Praça Castelo Branco. Foi ele também quem cuidou da arborização da Praça Lauro Gomes, em São Bernardo.

Ponto a ponto, a memória reconstruída
Walter Carreiro identificou todos os demais equipamentos que aparecem na foto, inclusive a casa em que residiu Anita Malfatti, a grande artista plástica paulista e brasileira. Viajemos, pois, sobre essa imagem.

As ruas
1) Avenida Antônio Piranga
2) Avenida Conceição
3) Avenida Alda
4) Avenida Robert Kennedy - Avenida Cupecê
5) Rua São José
6) Rua São Jorge

Os equipamentos
7) Bomba de gasolina manual de Antonio Pedrozzelli - Largo Diadema, hoje Praça Castelo Branco.

8) Posto de combustíveis de Salvador Maccarori - Terminal Diadema

9) Bazar Regina e barbearia de Antonio Barros de Oliveira, na Avenida Antônio Piranga, por onde passam os trólebus. Bazar (da família Makoto) e barbearia ainda funcionam.

10) Casa branca onde residia Anita Malfatti.

11) Ao fundo, área verde onde estão hoje: à esquerda, Jardim Diadema (em área dos irmãos Agenor, Joaquim e Amância de Oliveira, loteado por uma empresa de São Paulo); ao centro, Jardim Pitangueiras (pertencente a Antonio Doll de Moraes); à direita, a empresa Conforja.

12) Na Avenida Antônio Piranga, estacionado o veículo (baratinha) do alemão Julio Brucker.

13) Na Avenida Alda, o prédio da Padaria e Confeitaria Diadema, propriedade de Armelin Augusto Fernandes Coutinho, benfeitor da cidade: um dos fundadores do Lions Diadema e seu segundo presidente.

14) O açougue ao lado - propriedade do senhor José, um morador de Santo Amaro.

15) Farmácia de Gustavo Sonnewend, que foi um dos nove primeiros vereadores da cidade.

16) Triângulo que foi a chácara da Maria Portuguesa.

ET

No original da foto dá para distinguir a passagem de um avião Paulistinha, na mesma rota dos aviões que chegam hoje a Congonhas e por onde, nos anos 1930, havia sobrevoado o dirigível alemão Graf Zeppelin.

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

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